Surgimento de Conceição das Alagoas
Muito
já falamos sobre como se desenvolveram a maioria dos municípios do interior do
Brasil durante o século XIX quando aqui se vivia o período imperial. Em geral
este processo se dava sobre a égide da “cruz e da espada”: ainda que o tempo de
auge dos bandeirantes – esses conquistadores do sertão responsáveis pelo
etnocídio indígena que foram elevados pela crônica historiográfica como heróis
nacionais – já tivesse terminado e não mais se procurassem indígenas para
escravidão, surgia uma procura crescente por terras para uma expansão agrícola
que atendesse à demanda de uma urbanização insipiente. O Triângulo Mineiro foi
povoado durante o século XIX após um traumático processo de eliminação dos
habitantes indígenas aqui residentes. Apesar de Sacramento ser uma das mais
antigas povoações e Araxá ter sido o primeiro município a ser juridicamente
constituído, coube a Uberaba a primazia de se tornar o verdadeiro centro
econômico, político e religioso da região naquele tempo, justificando assim o
título ainda hoje a ela atribuído de “Princesa do Sertão”.
O
território do município de Uberaba no século XIX era tão considerável que
poderia se equiparar ao de alguns países europeus da atualidade. Muitos
povoados foram surgindo e se desenvolvendo em seu interior e, na medida que
conseguiam certa influência política e econômica, conseguiam sua emancipação.
Assim se deu em 1878 com Conceição das Alagoas. Nos primeiros tempos chamava-se
este lugar “Garimpo das Alagoas” em referência tanto à atividade econômica que
ali se tinha – o garimpo – quanto à grande quantidade de lagoas ao redor da
povoação – Alagoas. Com a emancipação, o município passa a trazer consigo o
nome de sua padroeira: Nossa Senhora da Conceição.
Imaculada Conceição
Quando
ouvimos hoje o termo catolicidade logo
nos vem à mente a ideia de uma igreja universal, espalhada pelo mundo inteiro,
diversa em carismas e serviços, inculturada em diversos países e regiões mas,
apesar e graças a tudo isso, capaz de manter sua unidade com o Papa e com
Cristo que é a Cabeça desta Igreja. Um sinal desta catolicidade em nossa arquidiocese pode ser percebido na devoção
aqui criada por diversos santos e santas bem como por títulos marianos pouco
tempo depois de seu surgimento (os leitores assíduos vão se lembrar de quando
falamos de Santa Teresinha, devoção quase imediatamente trazida a Uberaba).
O
dogma da Imaculada Conceição foi promulgado pelo Papa Pio IX através da Bula Ineffabilis Deus em 1854. Pouco mais de
duas décadas depois nossa catolicidade
se manifestava na criação da Paróquia da Imaculada Conceição em 1878.
A Paróquia
Atualmente
a egrégia e centenária Paróquia da Imaculada Conceição – Senhora de Conceição
das Alagoas – às vésperas de seus cento e quarenta anos de devoção à Virgem
Santíssima e de serviço ao povo daquela cidade por meio da evangelização de
seus filhos se encontra em período de vistoso progresso. Para além das reformas
estruturais que se fez na igreja matriz e no salão de festas atualmente em
construção, destaca-se a construção da Casa do Pão, com auxílio financeiro da
CEI – Conferência Episcopal Italiana. Em funcionamento já fazem dois anos a
Casa do Pão possui atualmente vinte equipes de voluntárias e abriga todas as
pastorais sociais. Oferece sopa todos os sábados, lanche comunitário todos os
domingos, jantares uma vez por mês. A Pastoral da Educação vem se organizando
para oferecer reforço escolar de Português, Matemática e Alfabetização. A
Pastoral da Criança em Conceição das Alagoas recentemente foi listada pelo
Pastoral Nacional da Criança como uma das melhores do país. Tudo isso se deve
ao esforço daquela comunidade paroquial conduzida pelo Revmo. Pe. José dos Reis
Naves, conhecido por todos como Pe. Zezinho.
Vitor Lacerda