É sabidamente notório quanto o brasileiro despreza as boas maneiras e os mais comezinhos princípios de civilidade e urbanidade. De longa data, para infelicidade dos querem aprender, as escolas deixaram de ministrar aulas de boa educação e comportamento social.
No afã de dizer-se que estamos em plena vida moderna, que não cabe mais qualquer principio de educação no nosso relacionamento, as coisas desandaram. O tratamento respeitoso de “senhor”, “senhora”, foi abolido. Hoje, qualquer cidadão, autoridade ou não, hierarquicamente superior ou não, é tratado simplesmente de ‘você” e...olhe lá... Aquele silêncio obsequioso de que quando alguém usa a palavra, um mínimo de delicadeza que se pode prestar ao interlocutor, se não deseja ouvi-lo, pelo menos deve manter-se em postura educada, não perturbando a “fala” de outrem, se faz sentir.
O cavalheirismo foi deixado de lado e o tratamento que se dá ( e se recebe também ),assim como a delicadeza da educação. Ficam claras as intenções que as boas maneiras restaram guardadas no velho e esquecido baú... O comportamento humano , hoje, está atingindo raras grosserias e o cumprimento que se fazia em outros tempos, elegante e cortês, foi substituído por um desperdiçado e debochado “ oi!”, sem a menor intenção.
Os gestos e palavras obscenas fazem parte do cotidiano de nossas vidas como se fossem atitudes absolutamente normais e inteligentes, ditas sem o menor pejo na nossa sala de visita.
Abdicou-se nos dias atuais, em dar lugar (assento) aos mais idosos, portadores de necessidades especiais, às senhoras, às gestantes. Foi necessário (e isso feito como se fosse a maior coisa do mundo ), criar leis que mantenham determinados estágios de educação e costumes. Os assovios intempestivos, a algazarra, os apitos e matracas, cartazes inoportunos e músicas estridentes, descaracterizaram as outrora, festas de formatura, orgulho para o formando e super orgulho para suas famílias, até então, imponentes, solenes, educadas e cívicas.
Os gestos, as palavras e ações, “gírias” de mau gosto, ditas de época, mancham e deixam atônitos àqueles que não estão acostumados a “esses tempos modernos”. O mundo mudou ?Sabemos. Os costumes são outros ? Conhecemos. Os veículos de comunicação de massa trouxeram aos povos novos métodos e ações. Os jovens andam de cabeça baixa. Todos envolvidos na internet, no “smartfones” e outros “bichos” mais. Até o romântico namoro, outrora de mãozinhas dadas, perdeu vez. Os namorados, um de cada lado, trocam juras de amor pelo “uatizape”.(Abrasileirei o nome ao meu bel prazer...)Tempos modernos...
Mas, deixamos uma pergunta ao sabor de suas inteligências:- há necessidade de exagerar tanto em nome do modernismo ? Há razão para desmoralizar tanto a língua pátria, herdados dos nossos antepassados? Há necessidade de violentar a cultura, as boas maneiras, a educação como estão agindo ? Cremos, piamente, que, educação, bons modos, palavras decentes, civilidade, urbanidade, são como “água benta”; “se bem não faz, mal também não causa!...
O assunto é tão bom que cabe mais um.
Luiz Gonzaga de Oliveira