quarta-feira, 9 de setembro de 2026

ODO ADÃO, UMA VIDA DE TRABALHO, PERSEVERANÇA, MEDICINA E SERVIÇO PÚBLICO

Odo Adão. Foto: Antônio Carlos Prata. 


 Hoje resolvi passar na cantina do Hospital Hélio Angotti para tomar uma água e, para minha surpresa, deparei-me com o Doutor Adão, sempre tão educado e simpático. Ele me convidou para sentar e prosear.

Prosear é comigo mesmo! E, naquela conversa, resolvi resgatar a trajetória de vida do Doutor Odo Adão e repasso a vocês.

Peço desculpas, mas o currículo dele é tão extenso que seria impossível contar tudo em poucas linhas. Ainda assim, vale a pena conhecer um pouco da história desse homem que fez da vida uma caminhada de trabalho, estudo, perseverança, medicina e serviço público.

Uma história que começou com dificuldades, com o trabalho ainda na infância, passou pelos corredores dos hospitais, chegou à medicina, à cirurgia plástica, aos congressos internacionais e, posteriormente, à vida pública como vice-prefeito e prefeito de Uberaba.

Mais do que um currículo, o Doutor Odo Adão tem uma história de vida que merece ser conhecida, registrada e contada. Uma trajetória construída com esforço, humildade, conhecimento e dedicação ao próximo.

Foi uma conversa simples, na cantina de um hospital, mas que me fez lembrar que grandes histórias muitas vezes estão sentadas ao nosso lado, esperando apenas alguém para ouvi-las.

Odo Adão nasceu no município de Conquista, Minas Gerais, em 18 de setembro de 1935. Filho de João Pedro Adão, ferroviário, e de uma mãe que trabalhava como cozinheira de fazenda, teve uma infância marcada pelo trabalho, pelas dificuldades econômicas e, sobretudo, pela determinação de construir uma vida melhor.

Aos sete anos, Odo perdeu o pai, João Pedro Adão, vítima da doença de Chagas. Sua mãe, viúva, trabalhava como cozinheira na Fazenda José Malaquias, localizada na zona rural do município de Conquista, nas proximidades da estação Engenheiro Lisboa. Odo vivia com a mãe e a irmã, Ozana Maria Adão.

Desde muito pequeno, aprendeu a conciliar estudo e trabalho. Ainda na zona rural, frequentava a escola e, aos 12 anos, começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro em Uberaba, com os Dorfeld, na Praça Santa Teresinha, ao lado de Fenelon.

Mais tarde, por intermédio do fazendeiro Hermógenes Afonso Rezende, conhecido pelo apelido de Zé Malaquias e proprietário da Fazenda José Malaquias, surgiu uma nova oportunidade de trabalho. Quando a família de José Malaquias se mudou para Uberaba, Odo e seus familiares também vieram para a cidade.

Em Uberaba, continuou trabalhando. Chegou a tomar conta de uma linha de leite pertencente a Malaquias. Quando essa atividade foi vendida, passou a trabalhar como ajudante de leiteiro, acompanhando a distribuição do leite pelas ruas da cidade.

O trabalho, entretanto, jamais o afastou dos estudos. Odo concluiu o curso primário no Grupo Escolar Brasil, até o quarto ano primário, e posteriormente ingressou no curso secundário do Colégio do Triângulo Mineiro.

O encontro com Dr. Hélio Angotti

Foi nesse período que sua trajetória encontrou uma das pessoas mais importantes de sua vida: o médico e professor Dr. Hélio Angotti. Reconhecendo o potencial daquele jovem trabalhador, Dr. Hélio Angotti ajudou Odo a estudar no Colégio do Triângulo Mineiro e tornou-se uma figura fundamental em sua formação.

Odo Adão foi diretor do Hospital Hélio Angotti e, na sua gestão, construiu a parte nova do prédio ao lado do antigo.

Dr. Hélio Angotti teve papel de destaque na história da medicina e da saúde em Uberaba e foi um dos fundadores do hospital que posteriormente recebeu seu nome, o Hospital Hélio Angotti, dedicado ao atendimento de pacientes com câncer.

Enquanto cursava o secundário e se preparava para o vestibular de medicina, Odo trabalhava no Hospital Beneficência Portuguesa. Começou como faxineiro e, posteriormente, passou a atuar como enfermeiro prático.

Como havia feito durante toda a vida, estudava e trabalhava simultaneamente. A Beneficência Portuguesa tornou-se, inclusive, sua casa: Odo chegou a morar dentro do próprio hospital.

Foi ali que sua proximidade com a medicina se tornou cada vez maior. Tinha contato diário com pacientes, médicos e procedimentos e passou a acompanhar de perto a rotina hospitalar.

Dr. Hélio Angotti, que atuava como cirurgião responsável pela Beneficência Portuguesa, tornou-se seu protetor, professor e mentor. Confiava naquele jovem e lhe proporcionava oportunidades de aprendizado que seriam decisivas para o futuro.

Sob sua orientação, Odo passou a acompanhar e auxiliar nos cuidados dos pacientes, observando o trabalho médico e, principalmente, as cirurgias. A convivência diária com Dr. Hélio despertou ainda mais seu interesse pela profissão.

A inspiração de um médico negro

Outra figura importante em sua decisão de seguir a carreira médica foi o Dr. Azevedo Costa, médico negro que atuava como clínico geral em Uberaba.

Ao conhecer sua trajetória, Odo percebeu que a medicina também poderia ser um caminho para ele. Segundo seu próprio relato, até então nunca havia imaginado que uma pessoa negra pudesse se tornar médico.

A presença de Dr. Azevedo Costa representou, portanto, não apenas uma inspiração profissional, mas também a possibilidade concreta de enxergar a si próprio naquele lugar.

Determinado, Odo prestou vestibular para medicina. Seu desempenho acadêmico sempre foi diferenciado, resultado de anos de disciplina, estudo e esforço.

Uma ajuda decisiva veio de Dona Cecília Palmério, esposa de Mário Palmério. Ela acreditou no potencial daquele jovem e concedeu-lhe uma bolsa de estudos, contribuindo de maneira fundamental para que pudesse realizar o sonho de cursar medicina.

A aprovação no vestibular representou muito mais do que o início de uma carreira universitária. Era a concretização de uma caminhada que havia começado ainda na infância.

Do menino que trabalhara como aprendiz de sapateiro, passara pela zona rural, fora ajudante de leiteiro e trabalhara como faxineiro e enfermeiro prático, surgia agora o futuro médico.

O médico e o caminho da cirurgia

Depois de formado, Odo Adão construiu uma trajetória de dedicação intensa à cirurgia e ao aperfeiçoamento profissional.

No Hospital Hélio Angotti, então voltado ao tratamento de pacientes com câncer, encontrou um campo de atuação que marcaria profundamente sua carreira: a cirurgia reparadora em pacientes oncológicos.

Seu trabalho ia além da retirada de tumores. Era necessário também reconstruir, reparar e devolver ao paciente, dentro das possibilidades da medicina, sua aparência, sua função e sua dignidade.

Foi nesse contexto que Odo se destacou como cirurgião plástico, tornando-se reconhecido por sua atuação na cirurgia reparadora ligada à oncologia.

A busca pelo conhecimento, porém, nunca terminou. Odo procurava constantemente novas técnicas, novos conhecimentos e novas possibilidades para seus pacientes.

Em sua trajetória de aperfeiçoamento, esteve em Houston, nos Estados Unidos, onde realizou uma especialização em cancerologia durante seis meses. A experiência ampliou seus conhecimentos na área oncológica e fortaleceu sua atuação na cirurgia reparadora de pacientes com câncer.

Seu compromisso com a atualização profissional também o levou a participar de conferências e congressos internacionais. Esteve em Paris e participou de encontros médicos em diferentes países, mantendo contato com especialistas e acompanhando os avanços da cirurgia e da oncologia.

Além da medicina, Odo também se dedicou ao aprendizado de idiomas. Tornou-se poliglota, falando italiano, inglês e alemão, conhecimentos que contribuíram para sua comunicação e participação no ambiente médico internacional.

O encontro e a amizade com Ivo Pitanguy

Entre os capítulos mais marcantes de sua trajetória está a amizade com um dos grandes nomes da cirurgia plástica brasileira, o Dr. Ivo Pitanguy.

A história começou de maneira curiosa e teve novamente Dona Cecília Palmério como personagem importante.

Em determinado momento, Dona Cecília precisou se submeter a uma cirurgia e foi ao Rio de Janeiro para ser operada pelo Dr. Ivo Pitanguy.

Durante o encontro, Ivo Pitanguy teria lhe perguntado por que ela havia ido até o Rio de Janeiro para realizar a cirurgia, se em Uberaba havia um grande cirurgião: o Dr. Odo Adão.

O episódio aproximou os dois médicos.

Posteriormente, Odo e Ivo Pitanguy passaram a se encontrar em congressos e eventos médicos. A relação profissional transformou-se em amizade.

Como recorda Odo:

“Passei a ser amigo de Ivo Pitanguy através de congressos. E ficamos amigos. Eu visitava ele e ele me visitava.”

A amizade entre os dois representa também um momento significativo da história da cirurgia plástica brasileira: dois profissionais que compartilhavam o compromisso com a medicina, com a cirurgia e com o aperfeiçoamento constante.

Da medicina para a vida pública

A trajetória de Odo Adão não ficou restrita aos consultórios, hospitais e centros cirúrgicos.

Com o reconhecimento conquistado junto à população de Uberaba e o compromisso que sempre demonstrou com sua cidade, Odo também entrou para a vida pública.

Foi vice-prefeito de Uberaba e, posteriormente, prefeito do município, assumindo responsabilidades que ampliaram sua atuação para além da medicina.

Sua passagem pela administração pública representou uma nova forma de servir à comunidade. O mesmo homem que havia dedicado sua vida a cuidar de pacientes passou também a lidar com os desafios de administrar uma cidade e trabalhar em benefício da população.

A experiência como médico certamente contribuiu para sua visão da vida pública. Acostumado a lidar diariamente com pessoas, com suas dificuldades e necessidades, Odo levou para a política a experiência adquirida ao longo de sua trajetória profissional e pessoal.

Sua atuação política acrescentou mais um capítulo à história de um homem que nunca se limitou às circunstâncias em que nasceu.

Da pobreza e do trabalho na infância, chegou à universidade.

Da condição de trabalhador dentro de um hospital, chegou à medicina.

Da cirurgia em Uberaba, alcançou centros médicos e congressos internacionais.

E, posteriormente, chegou à administração pública como vice-prefeito e prefeito de sua cidade.

Uma vida dedicada ao trabalho

A trajetória de Odo Adão não pode ser compreendida apenas pelo reconhecimento alcançado na medicina ou pela atuação na vida pública.

Antes do médico, existiu o menino que precisou trabalhar.

Antes do cirurgião, existiu o aprendiz de sapateiro.

Antes do especialista, existiu o ajudante de leiteiro.

Antes do reconhecimento profissional, existiu o jovem que trabalhou como faxineiro e enfermeiro prático.

E antes de todas essas conquistas existiu uma criança que perdeu o pai aos sete anos e que, ao lado da mãe e da irmã, aprendeu desde cedo que seria preciso trabalhar, estudar e perseverar.

Sua história também foi construída por encontros decisivos. Dr. Hélio Angotti acreditou naquele jovem e abriu-lhe as portas do conhecimento. Dona Cecília Palmério ajudou a tornar possível sua formação médica. Dr. Azevedo Costa mostrou-lhe, pelo próprio exemplo, que um homem negro também poderia ocupar o lugar de médico. Mais tarde, a convivência com grandes profissionais e sua participação em congressos e centros de referência internacionais ampliaram seus horizontes.

Mas nenhuma dessas oportunidades teria produzido os mesmos resultados sem a determinação de Odo.

Ele aproveitou cada porta que se abriu e transformou cada oportunidade em aprendizado.

A medicina como missão

No Hospital Hélio Angotti, especialmente no atendimento a pacientes com câncer, sua atuação na cirurgia reparadora ganhou uma dimensão humana ainda maior.

O paciente oncológico frequentemente enfrenta não apenas a doença, mas também as consequências físicas e emocionais provocadas pelo tratamento.

A cirurgia reparadora busca reconstruir aquilo que a doença e o tratamento destruíram. É uma medicina que combina conhecimento técnico, precisão cirúrgica e sensibilidade humana.

Foi nessa área que Odo Adão deixou uma de suas contribuições mais importantes.

Sua carreira como cirurgião plástico foi marcada pela busca constante de aperfeiçoamento e pela preocupação em oferecer aos pacientes aquilo que havia aprendido ao longo de décadas de estudo e prática.

Sua passagem por centros e congressos internacionais demonstrava a mesma característica que carregava desde menino: a vontade de aprender.

O homem que nunca deixou de estudar

Odo Adão carregou para toda a vida o hábito que aprendera ainda criança: trabalhar, estudar e buscar uma oportunidade melhor.

Mesmo depois de alcançar reconhecimento profissional, continuou estudando e se aperfeiçoando. A especialização em Houston, as conferências em Paris e a participação em congressos em diversos países demonstram que, para ele, a formação nunca estava terminada.

Seu domínio do italiano, inglês e alemão também revela essa disposição permanente para ampliar horizontes.

O médico que nasceu no município de Conquista, tornou-se um profissional conectado com o mundo, sem jamais perder sua ligação com a cidade onde sua história começou.

Uma vida de superação e serviço

Na vida pessoal, Odo foi casado pela segunda vez com Cristina Pereira Adão. Do primeiro casamento, teve um casal de filhos.

Sua história ultrapassa os limites de uma biografia profissional.

É a história de um homem que começou a trabalhar ainda criança, enfrentou dificuldades econômicas e sociais, perdeu o pai muito cedo e, mesmo diante das adversidades, não abandonou os estudos.

É também a história de um homem negro que, em uma época em que as oportunidades eram ainda mais restritas, conseguiu chegar à medicina, especializar-se, buscar conhecimento fora do país e construir reconhecimento como cirurgião plástico.

E é a história de alguém que, depois de conquistar seu espaço na medicina, decidiu também participar diretamente da vida pública de sua cidade, tornando-se vice-prefeito e prefeito de Uberaba.

Sua caminhada mostra que a superação não acontece de uma só vez. Ela é construída diariamente, por meio de pequenas decisões: estudar quando seria mais fácil desistir, trabalhar quando ainda se é muito jovem, aceitar uma oportunidade, aprender com quem sabe mais, buscar conhecimento e nunca considerar que já se sabe o suficiente.

O menino de Uberaba que começou a trabalhar aos 12 anos tornou-se médico, cirurgião plástico, especialista ligado à cirurgia reparadora e à oncologia, participante de congressos internacionais, amigo de grandes nomes da medicina brasileira e homem público.

Um legado para Uberaba

A história de Odo Adão é, acima de tudo, uma história de perseverança.

Sua trajetória começou entre a zona rural, as ruas de Uberaba, a oficina de sapateiro e a distribuição de leite. Passou pelos corredores da Beneficência Portuguesa, onde trabalhou como faxineiro e enfermeiro prático, e chegou às salas de cirurgia.

Depois, ultrapassou as fronteiras do Brasil, levando sua busca pelo conhecimento a Houston, Paris e a congressos em diferentes países.

Mais tarde, voltou sua experiência para o serviço público, ocupando os cargos de vice-prefeito e prefeito de Uberaba.

No caminho, encontrou mestres, amigos e pessoas que acreditaram nele. Mas foi sua própria força de vontade que transformou oportunidades em conquistas.

Dr. Hélio Angotti lhe ensinou que o conhecimento poderia mudar seu destino. Dona Cecília Palmério ajudou a abrir o caminho para sua formação. Dr. Azevedo Costa mostrou-lhe que era possível ser um médico negro. Ivo Pitanguy tornou-se colega, referência e amigo.

Odo Adão, porém, construiu sua própria história.

Uma história que começou com trabalho e dificuldades e chegou à medicina.

Uma história de estudo, coragem e disciplina.

Uma história de aperfeiçoamento permanente.

Uma história de cirurgia, ciência e dedicação aos pacientes.

Uma história de participação na vida pública e de compromisso com Uberaba.

E, sobretudo, uma história de alguém que nunca deixou de acreditar que era possível ir além.

De menino trabalhador a médico, cirurgião plástico reconhecido, especialista em cirurgia reparadora e oncologia, participante da comunidade médica internacional, prefeito e vice-prefeito de Uberaba, Odo Adão construiu seu caminho passo a passo.

Sua vida permanece como exemplo de que a origem não determina o destino e de que trabalho, estudo, perseverança e dedicação podem transformar não apenas a vida de uma pessoa, mas também a comunidade à qual ela pertence.

Antônio Carlos Prata

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

BAR DA VIÚVA, UMA HISTÓRIA DE FAMÍLIA, SABORES E MEMÓRIAS DE UBERABA


Maria Poticelli em sua cozinha, em registro
 fotográfico de Ricardo Prieto.

Peço desculpas pelo tamanho do texto, mas escrever sobre a família Vasques é impossível em poucas palavras. São décadas de trabalho, dedicação, sabores, encontros, fotografias e, acima de tudo, muitas histórias e memórias que merecem ser preservadas.

Cada detalhe faz parte de uma época e de uma família que deixou sua marca na história de Uberaba. Por isso, este relato é também uma forma de homenagear aqueles que construíram essa história e preservar para as novas gerações as lembranças de uma família, de um estabelecimento e de uma cidade que já não existem da mesma maneira, mas que continuam vivos na memória de quem os conheceu.

O começo de uma história

Tudo começou na década de 1920, quando Felipe Vasques e Maria Poticelli fundaram a Confeitaria Vasques. O casal trabalhava junto e, com dedicação, construiu um negócio que, ao longo dos anos, faria parte da história e da memória de Uberaba.

Em 1940, Felipe faleceu, deixando Dona Maria à frente da família e do estabelecimento. Com a ajuda dos filhos, Felipe e Gilberto, ela deu continuidade ao negócio, que passou a ser conhecido como Bar da Viúva do Felipe. Com o passar dos anos, o nome foi encurtado e o estabelecimento ficou conhecido simplesmente como Bar da Viúva.

Dona Maria comandou o estabelecimento por cerca de quatro décadas. Ao lado dos filhos, transformou o bar em um tradicional ponto de encontro da cidade.

A Rua do Comércio era o point

Nas décadas passadas, as calçadas de Uberaba tinham uma vida própria. Eram espaços de encontro, conversa e convivência. E a Rua do Comércio era o grande point da cidade.

O Bar da Viúva fazia parte dessa paisagem. O bar ficava lotado, especialmente nos horários de maior movimento. As mesas se enchiam de clientes, amigos e famílias, enquanto as calçadas também ganhavam vida com a movimentação das pessoas.

Era uma época em que os encontros aconteciam nas ruas, nas calçadas e nos bares. As pessoas se sentavam para conversar, reencontrar amigos e compartilhar histórias. O movimento da rua se misturava ao movimento do bar: gente chegando, gente saindo, conversas, risadas e o aroma dos salgados e das pizzas preparadas por Dona Maria.

O estabelecimento também funcionou em outro endereço, na mesma Rua Arthur Machado, no quinto quarteirão, ao lado da residência onde Dona Maria morava com sua filha, France.

Os sabores que ficaram na memória

O Bar da Viúva ficou conhecido por seus salgados, pelas famosas pizzas e pelo picadinho de filé ao molho. O tradicional chope Antarctica também fazia parte do estabelecimento.

Eram sabores que ajudaram a construir a identidade do bar e que permaneceram na memória dos antigos frequentadores. Mais do que comida, eram sabores associados a encontros, conversas e momentos vividos por famílias e amigos.

Entre uma pizza, um salgado, um picadinho de filé ao molho e um chope, o Bar da Viúva ajudou a construir a história da antiga Rua do Comércio e da vida social de Uberaba.

A famosa massa de pizza de Dona Maria

Quando France foi perguntada sobre a receita da massa de pizza, contou que a “Vó” dizia que não havia segredo. A receita era simples e feita de maneira tradicional:

“Um tanto de farinha, um tanto de óleo, ovos, um pouco de água, sovar a massa até dar o ponto... deixar a massa descansar... crescer... cortar e enformar.”

Não havia medidas exatas. Havia experiência, prática e o conhecimento adquirido ao longo dos anos. Era o famoso “olhômetro”, de quem sabia reconhecer o ponto certo da massa.

Talvez estivesse aí parte do segredo dos sabores que ficaram na memória. Muitas vezes, os grandes sabores não dependem de medidas precisas, mas da experiência, da dedicação e do conhecimento adquirido ao longo dos anos.

Uma mulher incansável

Segundo relato de France, filha de Dona Maria, sua mãe era uma mulher incansável. Sua rotina começava muito cedo. Antes mesmo das 6 horas da manhã, já estava a caminho do bar, sem se importar com a chuva, o frio ou qualquer outra dificuldade.

Chegava cedo para ppreparar as  famosas pizzas e passava a manhã e boa parte da tarde na cozinha, trabalhando na massa e nas demais preparações que fizeram a fama do Bar da Viúva.

Depois, tomava banho nas próprias dependências do bar, trocava de roupa e assumia o caixa. Nos dias em que Felipe estava no comando, Dona Maria permanecia ali até as 19 horas. Nos dias em que era a vez de Gilberto, ficava até as 22 horas.

E a jornada ainda não terminava quando chegava em casa. Mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, Dona Maria ainda encontrava disposição para fazer crochê até a meia-noite.

Segundo France, ela era sempre sorridente, calada e serena. Religiosamente, seguia sua rotina, dia após dia, com a mesma disposição.

Nem mesmo uma erisipela na perna conseguia fazê-la permanecer na cama. Acostumada a levantar cedo e sair de casa sem fazer barulho, certa vez sua filha, seguindo orientação médica, precisou dar-lhe um sonífero durante a noite, de forma disfarçada, para que ela perdesse a hora na manhã seguinte e pudesse permanecer em repouso absoluto.

A estratégia funcionou por apenas dois dias.

A incansável e sábia senhora logo descobriu os planos da cuidadosa família e, depois disso, não tomou mais o medicamento.

Esse relato de France revela não apenas a força e a determinação de Dona Maria, mas também um pouco de sua personalidade: uma mulher disciplinada, serena e profundamente dedicada à família e ao trabalho.

Sua vida foi dedicada à família e ao trabalho e permanece guardada nas fotografias, nas histórias e nas lembranças daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela.

Dona Maria na cozinha

Uma das fotografias que ajudam a preservar essa história mostra Dona Maria na cozinha do Bar da Viúva, no espaço onde eram preparadas as famosas gostosuras do estabelecimento.

Era ali que eram feitas as pizzas, os salgados e outras preparações que conquistaram os frequentadores do bar. A imagem registra muito mais do que Dona Maria trabalhando: preserva um instante da vida da família e do cotidiano do Bar da Viúva.

A foto foi tirada por Ricardo Prieto, fotógrafo e esposo de Ilka Vasques, filha de Dona Maria e Felipe Vasques. O registro foi posteriormente restaurado por Moacir Silveira, ajudando a preservar essa lembrança para as novas gerações.

Foto tirada por: Ricardo Prieto

Foto restaurada por: Moacir Silveira

Os cinco filhos

Dona Maria e Felipe Vasques tiveram cinco filhos: Didimo Vasques, France, Ilka, Gilberto e Felipe.

Didimo Vasques era bancário. France era do lar. Ilka era casada com o fotógrafo Ricardo Prieto, autor da fotografia de Dona Maria na cozinha e de outros registros que ajudam a preservar a memória da família.

Gilberto e Felipe permaneceram ao lado da mãe durante muitos anos, trabalhando com ela no Bar da Viúva e participando de perto da rotina do estabelecimento.

Ficaram ao lado de Dona Maria até 1989, ano de seu falecimento.

Depois, os irmãos continuaram a tocar o Bar da Viúva juntos, dando continuidade à tradição da família.

Dona Maria

Nascida em 1905, Dona Maria viveu até os 84 anos. Sua vida foi marcada pelo trabalho, pela família e por uma dedicação incansável ao Bar da Viúva.

Depois da morte do marido, em 1940, assumiu a responsabilidade pelo negócio e conduziu o estabelecimento por décadas, ao lado dos filhos.

Dona Maria faleceu em 1989.

O Bar da Viúva manteve suas portas abertas até 1984, encerrando suas atividades depois de décadas fazendo parte da vida social e gastronômica de Uberaba.

Hoje, os cinco filhos de Dona Maria já são falecidos. Restam, porém, as fotografias, as lembranças, os relatos e os sabores guardados na memória de quem viveu aquela época.

O Bar da Viúva encerrou suas atividades, mas sua história permanece.

Permanece nas lembranças daqueles que se sentaram às suas mesas, nas histórias contadas pelas famílias, nas fotografias preservadas e, principalmente, na memória de uma Uberaba que tinha na Rua do Comércio um de seus grandes pontos de encontro.

Preservar essa história é também preservar um pedaço da história da cidade,  e da família Vasques, que por tantas décadas fez do trabalho, da comida e da convivência uma parte inesquecível da vida de Uberaba.

Antônio Carlos Prata

segunda-feira, 6 de julho de 2026

GRANDE HOTEL DE UBERABA, UMA VIAGEM NO TEMPO

Imagem anúncio de 1944 da Revista Zebu, da S.R.T.M.

Foto colorizada para valorizar os detalhes e aproximar ainda mais esta importante lembrança da história de Uberaba.

O Grande Hotel de Uberaba aparece em um anúncio de 1944 da Revista Zebu, da S.R.T.M., quando ainda havia um terreno ao lado do edifício. Inaugurado em 12 de fevereiro de 1941, o hotel seria ampliado posteriormente com a construção da ala esquerda, destacada pelas elegantes sacadas.

A imagem também evidencia a imponência do conjunto arquitetônico, que se destacava no centro da cidade como símbolo de modernidade e elegância, atraindo olhares de quem passava pela região.

Em frente ao hotel corria o Córrego das Lajes, ladeado por belas balaustradas e margeado por árvores que tornavam a paisagem agradável e acolhedora. Naquela época, antes da avenida e também na saída do cinema, existia o tradicional footing: os rapazes se sentavam ou se escoravam nas balaustradas, namorando ou observando as moças, todas elegantes. Era um famoso ponto de encontro, de onde surgiram várias amizades, namoros e casamentos. 

Hoje, o córrego está coberto pelo asfalto, e a Avenida Leopoldino de Oliveira ocupa seu lugar. Ao longo da avenida foi instalado um gradil que impede o estacionamento de veículos, alterando completamente a dinâmica da região em comparação com o passado.

Na parte inferior central do edifício funcionava o Cine Metrópole, um dos mais importantes cinemas de Uberaba. As filas eram enormes nas grandes estreias e nas cerimônias de formatura, exigindo o funcionamento de duas bilheterias para atender ao grande público. O cinema oferecia várias sessões diárias, sempre muito concorridas, reunindo famílias, jovens e casais e tornando-se um dos principais pontos de lazer da cidade. Ao lado da entrada do cinema ficava o tradicional Bar Buraco da Onça, um animado ponto de encontro onde amigos se reuniam antes ou depois das sessões para conversar e acompanhar o movimento da cidade.

Na parte inferior direita, junto à torre, estava a entrada principal do Grande Hotel. O hotel possuía um elegante bar, e suas sacadas eram muito frequentadas por quem desejava apreciar uma bebida enquanto observava o movimento dos carros, das pessoas e a bela paisagem formada pelo córrego e pelas árvores. O tradicional Restaurante Galo de Ouro também funcionava no hotel e era referência na gastronomia de Uberaba.

Pelas dependências do Grande Hotel passaram presidentes da República no Brasil,  artistas, cantores, jogadores de futebol e muitas outras personalidades. Também chegavam vários ônibus trazendo visitantes de diversas regiões do Brasil, que vinham a Uberaba em busca de uma palavra amiga e do conforto espiritual de Chico Xavier. Muitos deles se hospedavam no Grande Hotel, fortalecendo a importância do local na história da cidade.

Hoje, a realidade do centro é muito diferente daquela época de grande movimento. Muitos comerciantes deixaram a região ao longo dos anos, e o centro perdeu parte da intensa vida comercial e social que o caracterizava. Para quem viveu aqueles tempos, resta a lembrança de uma época em que o Grande Hotel, o Cine Metrópole, o Bar Buraco da Onça e o Restaurante Galo de Ouro faziam do coração de Uberaba um lugar vibrante, cheio de encontros, histórias e memórias inesquecíveis.

Depois de anos de abandono, o histórico edifício em estilo Art Déco voltou a despertar esperança. Em 26 de julho de 2024, o Grupo Havana adquiriu o imóvel e iniciou um cuidadoso trabalho de restauração, preservando um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos de Uberaba para as futuras gerações.

Vou pegando o embalo desta foto e viajando no tempo, revivendo lembranças que permanecem vivas na memória. Tenho o prazer de compartilhar essas recordações com vocês, para que a história de Uberaba continue viva e seja valorizada por todos aqueles que amam nossa cidade.

Peço desculpas pelo tamanho do texto, mas esta fotografia despertou tantas lembranças que foi impossível resumir. Agradeço a todos que chegaram até o final desta viagem pela memória de uma Uberaba que jamais será esquecida.

Antônio Carlos Prata

segunda-feira, 15 de junho de 2026

TRIBAIS SHOW MARCA DO MUNDO LIVRE S/A


Garotos dirigidos por Órfilo Fraga mostram surpreendente som experimental tirado de sucatas e bambus.

Ruth Gobbo

A apresentação em Uberaba da banda pernambucana Mundo Livre S/A, precursora do movimento mangue beat, no último sábado, dia 25 de abril, teve como destaque não só o gás que o grupo impôs ao show como também a performance desenvolvida na abertura do evento pela garotada do Tribais.
Antes do Mundo Livre S/A subir ao palco da Casa da Cultura, cerca de 15 garotos da Casa do Menino se reuniram no pátio da Igreja São Domingos e fizeram de seu talento de percussão um barulho ensurdecedor que deixou o público presente extasiado com a afinação dos instrumentos feitos com materiais alternativos (latas, galões plásticos, bambus, tanques de gasolina e outros).

Contando com o apoio da Localiza Rent a Car, que colocou à disposição da garotada um veículo utilizado para o transporte, o Tribais deixou registrado em 40 minutos a evolução musical e performática que o grupo vem adquirindo a cada apresentação.
Com o ingresso para o show do grupo pernambucano saindo por R$ 10,00, algumas pessoas deixaram de conferir o restante do evento, o que não impediu que o Mundo Livre S/A mostrasse, com grande empenho, para um público de aproximadamente 200 pessoas, as músicas de seu terceiro CD — que seria lançado nos próximos meses — além de canções já conhecidas dos dois primeiros trabalhos (Samba Esquema Noise e Guentando a Ôia).
Fred 04, vocal e cavaquinho, deixou claro, durante a apresentação, que este show foi o mais satisfatório da turnê programada na região Sudeste.

Além disso, todos agradeceram à Rádio Mundial que, através do programa Radioatividade, colocou o grupo no ar por três horas na noite da última sexta-feira (dia 24 de abril de 1998).

O evento marcou definitivamente os preparativos para o fechamento da Casa da Cultura e administrou que, seja de Recife ou da periferia de Uberaba, a cultura na cidade, mesmo que restrita a poucos espaços, permanece viva e obtendo sucessos, tanto no âmbito de organização quanto de apreciação.

terça-feira, 2 de junho de 2026

UBERABA E O SABOR DAS TRÊS COROAS

Zaíra, Síria e Abadia. 
Foto acervo Uberaba em Fotos.

A história do Restaurante 3 Coroas, em Uberaba, criou raízes no tradicional Bairro São Benedito, na Rua Boa Esperança, no começo da Vila Maria Helena, esquina com Tenente Joaquim Rosa. Foi ali, em uma casa simples de porta estreita, que nasceu uma das mais marcantes referências da culinária árabe da cidade.

Filhas de Abrahão Miguel e dona Helena, vindos da Síria e depois da pequena cidade de Veríssimo em busca de novas oportunidades, as três caçulas: Zaíra, Síria e Abadia,  cresceram inseparáveis. Após o falecimento dos pais, já em Uberaba, passaram a sobreviver com o que podiam vender na portinha de casa: verduras, cerveja, tira-gostos e até jogo do bicho. Foi ali que a história começou a mudar.

Entre uma conversa e outra, surgiram os quibes assado, frito e cru, o malfufe, a kafta, a mjadra, o sarma, charutos de repolho ou folhas de uva, os bolinhos de grão-de-bico fritos, o pão sírio e tantas receitas herdadas da tradição árabe. A carne de carneiro era especialidade da casa. O tempero marcante e o capricho no preparo fizeram a fama do lugar. Toda semana havia quibe assado, e muitos ainda se lembram do “arixe”, sabor que atravessou gerações.

A freguesia começou a aparecer no fim das tardes. Um avisava o outro, que trazia mais um. Logo, a pequena casa ficou conhecida. O convite corria de boca em boca:

— Vamos nas Três Coroas!

E assim nasceu o nome que ficaria para sempre na memória da cidade.

No início da década de 1970, o restaurante funcionava na própria casa das irmãs. Com o sucesso, precisaram ampliar o espaço. A organização era simples, mas cheia de dedicação: uma cuidava da cozinha, outra servia as mesas e a terceira ficava no caixa. Tudo muito simples, mas feito com extremo capricho.

Por mais de três décadas, o 3 Coroas foi ponto de encontro no São Benedito, recebendo amigos, casais, famílias e trabalhadores após o expediente,  sempre acolhidos com simpatia e comida de primeira qualidade.

Com o tempo e o cansaço da lida diária, as irmãs passaram o comando aos sobrinhos, que tocaram o restaurante por determinado período, mantendo o respeito às receitas originais e à tradição familiar. Posteriormente, o restaurante foi repassado a outra pessoa e, depois, a outros proprietários, iniciando novas fases. No final da década de 1980, encerrava-se um ciclo importante da trajetória iniciada naquela portinha da Rua Boa Esperança.

Com o tempo, as três partiram, primeiro Síria, depois Zaíra e, por fim, Abadia. Mas no Bairro São Benedito permanece viva a lembrança das três irmãs que transformaram simplicidade em símbolo de acolhimento, amizade e tradição, consolidando a primeira grande referência da culinária árabe em Uberaba. Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

Antônio Carlos Prata

O INESQUECÍVEL CAFÉ REAL E A MOVIMENTAÇÃO DA PRAÇA RUI BARBOSA NOS 80

Bar Café Real.
 Foto acervo Uberaba em Fotos 

Encontrei essa foto no acervo do Uberaba em Fotos e compartilho aqui essa bela memória da cidade.

Nela vemos o tradicional Bar Café Real, muito frequentado na década de 1980 em Uberaba. O estabelecimento era de propriedade de Odete Angelo e funcionava na Praça Rui Barbosa, em uma época em que o local era extremamente movimentado. 

O bar ficava ao lado do antigo Cine São Luiz e também nas proximidades do Jóquei Clube de Uberaba. O movimento era intenso, principalmente nos dias de sessões no cinema, quando muitas pessoas passavam pelo local antes ou depois do filme para tomar um café.

Naquele tempo havia ponto de ônibus na praça, utilizado pelos coletivos da Empresa Líder de Transportes. Passageiros, motoristas e frequentadores da região paravam ali para saborear um café puro feito no tradicional coador de pano, muitas vezes acompanhado da famosa coxa de frango. 

Antes de o Café Real funcionar ali, o espaço era ocupado pelo antigo Bar Ana Rosa. Durante anos, o Café Real foi um verdadeiro ponto de encontro da cidade, numa época em que a Praça Rui Barbosa era um dos lugares mais movimentados de Uberaba.

Com o passar do tempo, Odete Angelo levou o bar para outros endereços da cidade. Em seu último período de funcionamento, o estabelecimento passou a se chamar Bar Café Metrópole, funcionando no mesmo local onde anteriormente existiu o conhecido Bar Buraco da Onça, embaixo do Grande Hotel de Uberaba. 

O bar encerrou suas atividades em 2009, juntamente com o Grande Hotel e o Cinema Metrópole, que faziam parte do conjunto anexo da Companhia Cinematográfica São Luiz, deixando boas lembranças para quem viveu aquele tempo.

A querida Odete Angelo nos deixou em 27 de novembro de 2024, permanecendo na memória de muitos uberabenses que passaram por seus bares e guardam com carinho essas lembranças de uma época especial da cidade. 

Antônio Carlos Prata

QUANDO O CENTRO TINHA SOMBRA E ÁGUA CORRENDO

Aciu, Grande Hotel e o Córrego das Lajes: 
a elegância da Avenida Leopoldino de Oliveira nos anos 1970. Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

Voltei e chamo vocês para mais uma carona na década de 1970.

Encontrei outra foto pertencente ao acervo do Uberaba em Fotos, de autoria desconhecida, registrada na década de 1970. Mais um registro precioso daquele tempo.

Eu vi e vivi a Avenida Leopoldino de Oliveira quando o Córrego das Lajes corria a céu aberto, com balaustradas nas laterais. No trecho entre a Rua Segismundo Mendes e a Rua Artur Machado ficava uma das partes mais bonitas da avenida. Havia árvores dos dois lados, fazendo sombra, e uma passarela em frente ao hotel ligando um lado ao outro. Era um ponto de encontro, onde o movimento existia, mas sem a correria de hoje. 

Nesta foto já se nota que algumas árvores tinham sido retiradas. Ali começava a mudança no centro de Uberaba.

Na avenida passavam Gordini, Variante, Fusca, Kombi, Rural Willys, TL, Aero Willys, Corcel e até Romiseta. Era outro ritmo, menos pressa e mais conversa.

Na imagem aparece o prédio da ACIU — a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba. No painel via-se o escritório da Varig. Ao lado ficava o restaurante Tip-Top, de Joaquim Oliveira Maia, o Quinzino.

Logo adiante estava o imponente Grande Hotel. A parte arredondada da fachada e o detalhe vertical que imitava a Torre de Pisa marcavam o prédio. A entrada principal ficava ali, voltada para o córrego. Depois isolaram esse lado e mudaram a porta para o outro lado.

O Bar e Restaurante Galo de Ouro funcionava na parte de cima, onde se vê a sacada com grades, logo acima da Kombi que aparece na foto. O bar ficava na frente, olhando a água, e o restaurante ao fundo. Depois vinham o Bar Buraco da Onça, o bar do Romelzinho e, mais adiante, o Cine Metrópole.

Vi artistas passando por ali. Vi os Harlem Globetrotters em 1975. Eles ficaram hospedados no hotel e jogaram na inauguração do Ginásio do Jóquei Clube de Uberaba. Foi um grande acontecimento para a cidade.

Na época da ExpoZebu, a cidade enchia. Muita gente vinha também conhecer Chico Xavier. Os cantores iam até a Center Discos, de Almir Miranzi, para dar autógrafos.

Depois vieram as mudanças. As árvores foram cortadas. A passarela retirada. Sufocaram o Córrego das Lajes e jogaram asfalto por cima. E hoje, na área central, dividiram a extensão da avenida com grades, separando os lados e proibindo a travessia livre como antigamente.

Mas para quem viu e viveu, a antiga Leopoldino continua viva na lembrança.

Porque a memória ninguém asfalta.

Antônio Carlos Prata

AS TRANSFORMAÇÕES DA PRAÇA RUI BARBOSA E DE SEU ENTORNO

Praça Rui Barbosa, década de 1970. Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

Na antiga Praça Rui Barbosa, no coração de Uberaba, espaço que ao longo das décadas passou por inúmeras transformações, uma fotografia da década de 1970, de autoria desconhecida, registra um fragmento vivo da história da cidade.

No primeiro plano erguia-se o belo obelisco em estilo Art Déco, obra do renomado artista Humberto Cozzo. Construído entre 1939 e 1941, o monumento foi dedicado ao governador mineiro Benedito Valadares e também ao centenário de Uberaba, simbolizando uma cidade orgulhosa de sua vocação pecuária e de seu espírito progressista. Sua inauguração contou com a presença do presidente Getúlio Vargas, numa visita que marcou profundamente a memória local. O obelisco permaneceu na praça até o início da década de 1990, quando sua estrutura de mármore foi remontada no Parque Fernando Costa, no parque da ABCZ.

Mais adiante, como uma sentinela silenciosa da história, encontrava-se a estátua do Major Eustáquio, fundador da cidade, presente da colônia sírio-libanesa, gesto de gratidão e pertencimento daqueles que também ajudaram a construir o destino de Uberaba.

À esquerda, um antigo sobrado conhecido como Notre Dame de Paris, hoje Hotel Chaves, guardava sua elegância arquitetônica, testemunha discreta das mudanças da cidade.

Próximo dali, entre as árvores que hoje escondem parte da memória, funcionou por décadas o tradicional Bar 1001, um verdadeiro ponto de encontro. Ali se conversava sobre política, futebol, negócios e a própria vida. Foi também um lugar onde o médium Chico Xavier muitas vezes parava para um café simples, cercado pelo carinho silencioso de quem o reconhecia.

Seguindo à direita, em direção à Rua Vigário Silva, as árvores hoje ocultam o que antes fazia parte do cotidiano urbano. Ali existia uma banca de revistas, ponto de encontro de leitores e curiosos. Um pouco adiante ficava a tradicional Ótica de seu Lilito Chaves, seguida pela famosa Livraria ABC, de Mário Rosa e Benedito Eurípedes Carmelita. Na parede lia-se uma frase que ficou marcada na memória da cidade:

“As maiores inteligências do Brasil passaram pela ABC.”

Mais à frente havia um posto de saúde com um longo corredor onde eram realizados exames de imagem torácica,  como a antiga abreugrafia, utilizada para detectar tuberculose e também em exames de admissão de emprego.

 Era comum ver verdadeiros varais com radiografias penduradas para secar, expostas à vista de quem passava, uma cena curiosa e típica de um tempo em que a medicina preventiva fazia parte do cotidiano.

Seguindo adiante surgiam outros marcos urbanos: o tradicional jornal Lavoura e Comércio, a Loja Americana e, em frente, o antigo Hotel do Comércio, hoje desaparecidos, levados pelas transformações do tempo.

À esquerda, logo abaixo do prédio Notre Dame de Paris, existiam outras referências queridas da memória urbana: uma loja de brinquedos, a Farmácia Triângulo, o armazém Barros e Borges e a tradicional Padaria Brasil, de seu Clarimundo e dona Thomásia.

Ao lado da padaria funcionava o Manogra, ponto famoso onde se jogava sinuca e onde se reuniam alguns dos melhores sinuqueiros da cidade. Hoje, naquele espaço, encontra-se a loja Têxtil Abril.

Em frente à praça, os táxis formavam uma fileira quase cerimonial. Os carros do ano, bem alinhados e reluzentes, aguardavam passageiros com a paciência serena de um tempo em que a pressa ainda não dominava as cidades.

Ao fundo, seguindo pela antiga Rua do Comércio, hoje Rua Arthur Machado, surgiam sinais da modernidade: a loja Modelar e o edifício da Drogasil, inaugurado em 10 de outubro de 1966. A rua viria mais tarde a se transformar no calçadão, inaugurado em 18 de novembro de 1994, mudando novamente a paisagem do centro da cidade.

No entorno da praça existiam ainda muitos outros pontos que fazem parte da memória de Uberaba: o Bar Ana Rosa, o vizinho Cine-Teatro São Luís, o tradicional Jóquei Clube, a Panificadora Monte Líbano, que funcionava no térreo do edifício Vitório Varotto, além da Casa Caldeira, do Café da Praça e da elegante loja Caprichosa.

Mas vou parando por aqui… são tantas lembranças que caberia quase um livro inteiro.

Deixo agora com vocês, para que cada um também possa ativar suas próprias memórias.

Assim era aquela praça: um palco onde passado, cotidiano e memória caminhavam juntos. Cada árvore, cada fachada e cada carro estacionado compunham um cenário que hoje sobrevive não apenas nas fotografias, mas também na saudade de quem viveu aquele tempo em que Uberaba parecia caber inteira dentro de sua praça.

 Antônio Carlos Prata

ALDO ROBERTO, O TL DO CAZARRÉ E O TEU DA RUA ALAOR PRATA

Volkswagen TL semelhante ao que pertenceu ao ator Older Cazarré e que protagonizou uma divertida história nos bastidores do Teatro Experimental de Uberaba, na década de 1970. Foto de acervo de Uberaba em Fotos.

Vou contar um episódio que aconteceu comigo, com Aldo Roberto Silva, o Salsichachau e o Natal Raphael, hoje barbeiro, filho do saudoso Domingos Caparrelli, o “General Barbeiro”.

Isso aconteceu em meados da década de 1970, na porta do Teatro Experimental de Uberaba, que funcionava na Rua Alaor Prata, nº 20.

Naquele dia estava em cartaz a peça Marido, Matriz e Filial, estrelada pelo ator Older Cazarré, ao lado das atrizes Ivete Bonfá e Georgia Gomide.

Eu e o Natal tínhamos 12 ou 13 anos. Éramos amigos de infância e vizinhos.

Já Aldo Roberto Silva, além de ator e diretor, fazia de tudo no teatro: cenografia, figurino, iluminação, maquiagem e até faxina quando precisava.

Quando morou em São Paulo, Aldo chegou a fazer novela de rádio e fez amizade com vários atores e atrizes. Depois passou a convidá-los para trazer suas peças para se apresentarem em Uberaba.

No teatro havia um bar, e todo o caixa era responsabilidade do Aldo. Eu e o Natal ajudávamos durante o intervalo das peças, servindo o público.

O elenco de Cazarré entraria em cena às 19 horas.

De repente, o Aldo percebeu que tinha esquecido de comprar gelo. Na mesma hora pediu a chave do carro ao Cazarré, um Volkswagen TL azul, impecável, dizendo que iria comprar gelo e voltaria rapidinho.

Cazarré respondeu na hora:

"Nunca! "Aqui não". "Não empresto o carro!"  "Você não sabe dirigir!"

Mas o Aldo era bom de conversa e insistiu tanto que acabou convencendo o ator a emprestar o carro.

E lá fomos nós três: Aldo ao volante, eu no banco da frente e o Natal no banco de trás.

Na hora de sair, o Aldo apanhou um pouco para engatar a marcha e não conseguiu controlar direito a embreagem. O carro deu um arranco, voltou um pouco em diagonal e acabou batendo em outro carro que estava estacionado, amassando a lateral direita do lado do passageiro.

A lata era dura, mas afundou o paralama e chegou a apertar o pneu. O Aldo e algumas pessoas que estavam por perto puxaram a lataria para não pegar na roda.

Nessa hora já tinha gente olhando, porque o movimento na porta do teatro começava a aumentar.

O Aldo olhou o estrago e disse com a maior calma do mundo:

" Ahhh… isso é só um amassadinho de nada."

Entramos no carro novamente e ele saiu cantando pneus.

Enquanto isso, já começava a formar fila na porta do teatro.

Fomos primeiro na peixaria Pororoca, no final da Rua Tristão de Castro. Não tinha gelo.

Seguimos então para a Pescave, na Avenida Prudente de Moraes. Lá conseguimos o gelo.


Foi nesse momento que descobrimos uma coisa: o Aldo era “barbeiro” no volante.

Na volta, faltando poucos minutos para começar a peça, o Cazarré estava na porta do teatro esperando, com as veias do pescoço saltadas de nervoso.

"Aldo, eu te mato!"

O Aldo, tranquilo como sempre, respondeu:

"É só um arranhadinho de nada… sua peça cobre isso e ainda sobra dinheiro! Cazarré para de birra".

Cazarré continuou esbravejando até chegar ao bar.

Então o Aldo abriu um refrigerante, deu um beijo no Cazarré e tudo terminou em risada.

No dia seguinte, mesmo com o carro amassado, o Cazarré seguiu viagem com as atrizes para Araxá.

Peguei esta foto apenas para ilustrar o carro, um Volkswagen TL semelhante ao que o ator Older Cazarré tinha na época, usado naquela corrida atrás de gelo antes da peça no Teatro Experimental de Uberaba, na Rua Alaor Prata, em Uberaba.

Antônio Carlos Prata

BAR L&M, TRADIÇÃO E PROSA BOA DESDE 1978

Fachada do Bar L&M. Foto Antônio Carlos Prata.

Fundado em 1978, o Bar L&M, dos irmãos Luiz e Marcos, é um marco tradicional de Uberaba. Localizado na Rua Governador Valadares, 350, o bar se tornou ao longo dos anos um verdadeiro ponto de encontro de amigos.

Ali, o ambiente é simples, bem ventilado e acolhedor, lugar onde o freguês chega, encosta o cotovelo no balcão, puxa uma prosa, conta um causo e deixa a conversa correr solta.

No cardápio, o cliente encontra clássicos de boteco que conquistaram gerações: torresmo crocante, o famoso bauru dos deuses, tilápia ao alho, frango a passarinho, carne de panela com mandioca frita, além de salgados e diversas porções caprichadas.

Para acompanhar, todas as marcas de cerveja sempre bem geladas, do jeito que o brasileiro gosta.

Com o passar do tempo, o bar ganhou apelidos carinhosos. Muitos o chamam de “Bar do Cotovelo”, por estar localizado bem na virada da rua,  ponto perfeito para encostar e conversar. Também ficou conhecido como “Bar dos Aposentados”, já que por ali se reúnem velhos amigos, histórias de uma vida inteira e memórias da cidade.

Mais que um bar, o Bar L&M é parte viva da história e do cotidiano de Uberaba: um lugar onde a amizade é antiga, a conversa é boa e a memória da cidade continua sendo contada dia após dia.

Funcionamento:

Aberto de segunda a segunda, das 7h às 23h. 


Antônio Carlos Prata

PARQUE FERNANDO COSTA, GPS ERA A BANDEIRA DO BRASIL E O PALANQUE

Quando a bandeira do Brasil era o nosso GPS. Foto Antônio Carlos Prata.

O ponto de encontro de gerações de

Parei em frente à bandeira do Brasil e bati essa foto para lembrar com vocês e compartilhar.

Bateu aquela lembrança de um tempo pré-histórico antes do celular existir. 

Naquela época, perder alguém em festa não era acidente, era praticamente tradição familiar. No meio da multidão, de repente vinha a voz do locutor pelo Parque Fernando Costa:

“Eita, meninada perdida essa de Uberaba!!!" 

E não era pouca gente, não. Principalmente os pestinhas, esses tinham carteirinha VIP no alto-falante. Era só soltar a mão por 10 segundos que pronto, já viravam atração oficial do evento.

E não pense que a culpa caía só nos pais. Nada disso. Entrava todo mundo no pacote: pai, mãe, avó, avô, bisavô, papagaio, periquito, parecia chamada de reunião de condomínio. O locutor não economizava, anunciava a árvore genealógica completa. Só faltava puxar o CPF e o histórico escolar da criança. 

E ainda soltava com naturalidade: “Tá aqui no palanque e não tá nem chorando mais não, viu!”

Virava quase um programa de auditório. E o “perdido”? Perdido nada, já estava enturmado, tranquilo, às vezes até com cara de quem queria pegar o microfone e ajudar nos próximos anúncios. 

Geralmente ficavam ali perto das bandeiras dos estados ou do mastro da bandeira do Brasil, como quem diz: “Se precisar, tô disponível.”

Hoje reparei: no tempo que estive com meu filho, só uns gatos pingados se perderam. Evoluímos ou talvez não.

Porque observei, bem disfarçado, que tinha gente estrategicamente parada perto do mastro. Vai que, né, uma nostalgia bate, uma fama repentina aparece.

Hoje o povo se perde e se acha no celular. Antes se perdia e ainda saía famoso no Parque Fernando Costa. 

Antônio Carlos Prata

UBERABA DOS ANOS 70 ENTRE RODEIOS TRADIÇÕES E MULTIDÕES


Pista de julgamentos e o palanque com suas escadarias mostram bem como tudo era original no Parque Fernando Costa. Foto: Renato Peixoto Júnior.

Trago uma foto de Peixotinho, lá da década de 1970, pra gente viajar no tempo. A cerca de madeira, a pista de julgamentos e o palanque com suas escadarias mostram bem como tudo era original no Parque Fernando Costa.

Era tempo de multidão, com grandes cantores à noite e rodeios durante o dia. Na arena, o locutor animava tudo, sempre com uma sátira sobre o montador, arrancando risadas e levantando o público.

Logo na entrada e pelo parque, chamava atenção a bandeira do Brasil erguida, rodeada pelas bandeiras dos estados, tremulando ao vento e dando aquele ar de grandiosidade. Espalhadas por todo lado, muitas propagandas de fazendas, tratores e equipamentos agrícolas reforçavam a força do campo e o peso do agronegócio na exposição.

Os pavilhões de cavalos e zebus eram um espetáculo à parte. Tratadores conviviam com os animais, alguns até dormindo em redes armadas no alto. A abertura oficial reunia a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, autoridades, governadores, gente do Brasil e do mundo, e até presidentes da República marcavam presença.

Entre as figuras conhecidas, estava Badú Rocha, com seus cabritos e porcos de raça, sempre caprichoso no chiqueiro e no capril.

O parque era um verdadeiro mosaico cultural, com baianas fazendo acarajé, gaúchos, nordestinos e gente de toda parte. As mulheres desfilavam com botas e chapéus, cheias de charme.

Tinha de tudo um pouco: barraca do vinho, parque infantil com o grande tobogã, quebra-queixo, maçã do amor e pipoca no saquinho de papel. E no meio da festa, muita bexiga colorida, de vários formatos, enfeitando o parque e alegrando a criançada. E o restaurante Chopim, parada obrigatória pra boa comida e prosa.

Do lado de fora, a movimentação continuava. A avenida Marcos Cherém tinha a boate Vira Copos e o tradicional Bar do Nakayama, ponto certo de encontro, sempre cheio, com conversa animada, cerveja gelada e tira-gosto no balcão, naquele clima simples e acolhedor que só quem viveu sabe. Na avenida Fernando Costa, o Bar do Dica era referência. A antiga boate que virou o Espelhão reunia gente de todo tipo, e a Rua São Lourenço completava o cenário da época.

Estacionar era fácil, o dia rendia, e os táxis,  Corcel, Simca e Opala, cruzavam a cidade. E ali estavam os choferes Zé de Castro e Baía, figuras conhecidas, sempre bem apresentados, com carros grandes e de respeito, levando autoridades e sendo parte viva daquele tempo.

Era uma Uberaba viva, intensa, cheia de encontros, sons e histórias. Um tempo que passou, mas nunca saiu da memória.



Antônio Carlos Prata

POR TRÁS DOS TAPUMES O PALACETE RESSURGE EM UBERABA


Palácio Episcopal São Luiz, 
conhecido como Palacete do Bispo. Foto Antônio Carlos Prata. 

Hoje tirei esta foto do alto para mostrar o andamento das obras, já que os tapumes impedem a visão de quem passa a pé ou de carro. 

Construído em 1903, o casarão de estilo chalet (eclético), projetado pelo engenheiro Alexandre di Gusberti, foi residência de Getúlio Guaritá. Mais tarde, foi adquirido pela Arquidiocese de Uberaba para abrigar o Bispo Diocesano, passando a ser chamado Palácio Episcopal São Luiz, conhecido como Palacete do Bispo. 

A partir da década de 1990, o prédio deixou de ser residência e passou a ter outros usos, como o Jornal de Uberaba e escolas. O imóvel segue pertencendo à Cúria Metropolitana de Uberaba.

Atualmente, passa por restauração, com previsão de conclusão em 2026. O projeto preserva a arquitetura original e transforma o espaço em um centro comercial e cultural, com cerca de 20 lojas, áreas de convivência e estacionamento. 

Na foto, já se vê o avanço das obras, com novas estruturas sendo erguidas ao redor pelo sistema de construção a seco, integrando o antigo ao moderno e contribuindo para a revitalização do centro de Uberaba. A obra está sendo executada pela Construtora Toubes. 

Antônio Carlos Prata


MÁRIO SALVADOR, O ETERNO TIO MÁRIO, DEIXA LEGADO DE AMOR E DEDICAÇÃO EM UBERABA

Mário Salvador. Foto de Acervo pessoal de Uberaba em Fotos.

É com o coração profundamente entristecido que comunico o falecimento de Mário Salvador, o nosso eterno e querido “Tio Mário”.

Nascido em Araguari, em 14 de janeiro de 1935, construiu em Uberaba uma trajetória que ultrapassa qualquer currículo: construiu histórias, formou gerações e espalhou afeto por onde passou. Seu jeito simples, acolhedor e sempre próximo fez com que fosse abraçado por todos,  especialmente pelas crianças, que lhe deram o mais bonito dos títulos: “Tio Mário”. Um nome que nasceu do carinho e o acompanhou por toda a vida.

À frente do programa infantil Roda Gigante, exibido pela extinta TV Uberaba nas décadas de 1970 e 1980, levou alegria, ensinamentos e encantamento a inúmeros lares. Como idealizador do Clube do Tio Mário, dedicou-se à formação de jovens, incentivando a leitura, o respeito e a cultura, ajudando a moldar cidadãos e sonhos.

Sua caminhada foi marcada por uma atuação intensa e comprometida em diversas áreas. Foi editor responsável do Correio Católico na década de 1970; diretor executivo do Jornal da Manhã por cerca de 10 anos, onde também assinava a coluna “Comentando”; advogado do SESI durante a implantação do FGTS; professor no SENAC, professor de Direito Tributário na Faculdade de Ciências Econômicas e docente de Contabilidade no Colégio São Judas Tadeu; diretor executivo do Uberaba Tênis Clube por mais de duas décadas; presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro; sócio-fundador do Rotary Club Uberaba Leste; presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas de Uberaba; além de ter presidido a Fundação Cultural de Uberaba, o Arquivo Público e o CODEMPHAU.

Mais do que títulos e funções, deixa um legado humano incomparável: o de quem viveu para servir, ensinar e acolher. Uberaba se despede hoje de uma de suas figuras mais queridas, mas sua presença permanece viva na memória de todos, crianças, jovens e adultos, que tiveram o privilégio de conviver com sua generosidade e alegria.

Hoje nos despedimos não apenas de um homem, mas de uma presença rara, daquelas que iluminam vidas e deixam marcas profundas. Ficam as lembranças, os ensinamentos, os gestos simples e o sorriso acolhedor que jamais será esquecido.

Que Deus o receba em Sua infinita paz e que conforte o coração de todos os familiares e amigos.

“Tio Mário” não se vai por completo… porque quem planta amor, permanece para sempre no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

O velório será realizado a partir das 16h30, na LIV, localizada na Avenida Edilson Lamartine Mendes, 137, no bairro Parque das Américas, em Uberaba, em frente ao portão da ABCZ.

 Será um momento de despedida marcado pela saudade, mas também pela gratidão, um encontro de corações para homenagear quem tanto fez pelo próximo.

Até o momento, não há confirmação sobre o horário do sepultamento.

Antônio Carlos Prata

TOTINHO, O HÓSPEDE FANTASMA DO GRANDE HOTEL

José Antônio Costa, Totinho. Imagem gerada por IA para fins de ilustração.

Vou contar um causo bastante conhecido do passado, lá no início dos anos 1970. Vou ser breve, peço perdão.

José Antônio Costa, o famoso Totinho, filho de Dona Ana, zeladora do Grupo Escolar Brasil, cresceu entre corredores, histórias e o vai e vem da cidade. Ruivo, cheio de pintinhas e dono de uma lábia afiada, era o típico “pau pra toda obra”, sempre disposto a ajudar em qualquer situação.

No meio da comunicação, entre rádio e TV, fazia um pouco de tudo. Tinha uma esperteza afiada, carisma de sobra e uma conversa que abria portas como mágica. Sempre bem vestido e cheiroso, era figura conhecida nos cinemas, teatros, barzinhos do centro acadêmico e nas rodas boêmias da cidade.

Quase sempre “durango”, sem lenço e sem documento, mas nunca sem companhia.

Totinho tinha o dom raro de transformar conversa em convite, e convite em rodada paga.

E foi assim que, numa noite no Bar da Viúva, se aproximou de um viajante solitário. Em poucos minutos, já dividiam pizza, cerveja e confiança. Quando o turista comentou que precisava economizar com hospedagem, Totinho não pensou duas vezes:

"Relaxa… tô no Grande Hotel. Tem cama sobrando."

Saíram caminhando pelo centro. Ao chegar em frente ao hotel, Totinho pediu que o homem aguardasse na calçada. Minutos depois, apareceu acenando da varanda do Bar Galo de Ouro, como se fosse hóspede antigo confirmando a entrada.

Na verdade, apenas subira, usara o banheiro e saíra discretamente.

A noite seguiu animada no Restaurante Bar Tip-Top, ali embaixo da ACIU, entre risadas, conversa solta e copos cheios… até que, na hora de acertar a conta, Totinho simplesmente desapareceu.

O viajante seguiu então para o Grande Hotel, confiante na tal “cama sobrando”. Ao chegar, percebeu que havia sido personagem de um dos causos mais engenhosos da cidade.

Mesmo assim, pagou a despesa e, curiosamente, saiu satisfeito, levando na bagagem uma história que valia mais que o dinheiro.

Porque Totinho era isso: malandragem leve, simpatia e uma figura inesquecível da Uberaba boêmia.

Infelizmente, teve um fim precoce. Vítima do alcoolismo, em tratamento no interior de São Paulo, saiu desorientado e acabou sendo atacado por abelhas.

Uma história hilária, com um desfecho triste,  como tantas da vida real.

Imagem gerada por IA para fins de ilustração.


Antônio Carlos Prata

OS LEITEIROS DA COPERVALE, OS LATICÍNIOS E A UBERABA QUE O TEMPO GUARDOU

Foto gerada por inteligência artificial para ilustrar o texto sobre os antigos leiteiros da Copervale e a paisagem urbana de Uberaba nas décadas de 1960 e 1970.

Cooperativa Regional dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande - Copervale, instalada na antiga Praça Manoel Terra, onde hoje funciona um posto de combustível,  foi, durante as décadas de 1960 e 1970, um dos símbolos mais vivos da paisagem humana de Uberaba. Este casarão foi a sede da Copervale, onde funcionou por décadas, tornando-se um dos pontos mais conhecidos e tradicionais daquela região da cidade.

Naquele tempo, o Córrego Olhos d’Água ainda corria aberto. Vizinha ao Mercado Municipal, a Copervale acompanhava o curso do córrego, margeado por balaustradas até as proximidades do antigo Cine Uberaba Palace. A avenida era iluminada e arborizada dos dois lados, compondo um dos cenários mais marcantes da Uberaba antiga.

O Córrego Olhos d’Água encontrava-se com o córrego da Avenida Guilherme Ferreira, conhecido como Córrego Barro Preto. A partir dessa junção, recebia o nome de Córrego das Lajes, fazendo parte importante da geografia urbana e afetiva da cidade.

Naqueles tempos, os leiteiros percorriam ruas, avenidas e bairros de Uberaba em suas tradicionais carroças-baú totalmente brancas, puxadas por cavalos, levando leite fresco de porta em porta. Vestiam-se de maneira simples: o latão de bico numa das mãos, o caneco medidor na outra e a carroça carregada de grandes latões de leite.

Com o passar dos anos, o leite também passou a ser vendido em garrafas de tampa prateada e, depois, nos conhecidos saquinhos plásticos. Os produtos traziam estampada a tradicional logomarca em forma do Triângulo Mineiro, além das marcas Trianon e Produtos Centenário, muito conhecidas pelos uberabenses da época.

Antes mesmo de dobrar a esquina, o leiteiro já era reconhecido pelo som característico da pequena campana de freio de automóvel presa à lateral do banco do carroceiro. Com um pedaço de ferro, ele batia naquele aro metálico improvisado, produzindo um som inconfundível pelas ruas ainda tranquilas da cidade. Em seguida vinha o grito comprido e inesquecível:

“Olha o leiteiroooooo!”

As donas de casa saíam apressadas com suas vasilhas leiteiras nas mãos, enquanto as crianças observavam fascinadas aquele ritual diário. O leite era retirado diretamente dos grandes latões transportados na carroça.

 Muitos desses recipientes possuíam uma pequena torneira para facilitar a retirada do leite. Quando não havia torneira, o próprio leiteiro utilizava uma caneca metálica padronizada e dosada, medindo cuidadosamente a quantidade deixada para cada freguês.

Uberaba possuía então uma coleção de figuras populares que davam alma às ruas. Havia os verdureiros, os compradores de garrafas, o homem do algodão-doce, o vendedor de picolé, o do pirulito, cada qual com seu pregão característico. E havia também o inesquecível “Seu” Roque Manuel da Silva, o lendário “Roque do Biju”, cujo triângulo metálico fazia a meninada correr para dentro de casa atrás de algumas moedas.

No meu tempo de criança, lembro exatamente dessas cenas que hoje compartilho com vocês. Eram momentos simples, profundamente marcantes, guardados na memória afetiva de toda uma geração.

Esses personagens ajudaram a construir a identidade popular de Uberaba. Eram sons, vozes e costumes que hoje pertencem à história sentimental da cidade, uma época em que o leiteiro da carroça branca não vendia apenas leite fresco, mas também convivência, proximidade e humanidade.

Antônio Carlos Prata

FUMANCHU, ENTRE O APITO, O MEGAFONE E A VIDA

José Estanislau da Silva, José Estanislau da Silva.
          Imagem gerada por inteligência artificial para ilustrar o texto.

Quem viveu Uberaba entre os anos 1970 e 1998 certamente se lembra. Era fim de tarde, o comércio cheio, e lá vinha ele, passo miúdo, bigode marcante, megafone de latão na mão, sempre acompanhado de um fiel cachorro.

José Estanislau da Silva. Mas ninguém o chamava assim. Para todos, era apenas Fumanchu.

Morou por um tempo na Rua Pedro Floro, no bairro Estados Unidos, nos fundos de um terreno cedido por Ovídio De Vito. O acesso era por um corredor estreito de terra batida, cercado de arbustos,  caminho simples, como a própria vida que levava. Ao longo dos anos, passou por outros cantos da cidade, até terminar seus dias em um espaço modesto nos fundos da Biblioteca Municipal.

Figura solitária em tempos de muito preconceito, Fumanchu encontrou, à sua maneira, um jeito de existir,  e de ser querido. Era amigo da criançada, sempre com um sorriso fácil, mesmo carregando o peso do álcool e do cigarro.

Mas era no som do seu megafone que ele se tornava inesquecível. Pelas ruas e avenidas, sua voz ecoava firme:  “Atenção, desportistas! Hoje no Uberabão… Uberaba Sport Club e Nacional Futebol Clube!”

O anúncio cortava quarteirões, atravessava o córrego ainda aberto da Avenida Leopoldino de Oliveira, misturando futebol e cotidiano, como se fosse a própria voz da cidade.

E nos clássicos contra o Uberlândia Esporte Clube, vinha a frase que virava tradição:  “Hoje é dia da onça beber água!”

Em um momento de virada, buscou ajuda no CEREA — Centro de Recuperação de Alcoólatras,  com o apoio do Dr. Antônio José de Barros e de Jesus Mazano. Ali, entre relatos de vida e pequenas vitórias, encontrou forças para recomeçar e chegou a ser exemplo para outros.

Tentou reconstruir sua vida. Montou uma pequena oficina de sapatos na Rua Coronel Manoel Borges, em frente à antiga Sociedade Rural. Trabalhou por anos, conversando, rindo, vivendo com dignidade. Mas a vida cobrou seu preço: vendeu o ponto, e o dinheiro o levou de volta ao vício.

Ainda assim, Fumanchu nunca deixou de ser lembrado com carinho. Porque há pessoas que não pertencem apenas ao seu tempo,  pertencem à memória afetiva de uma cidade.

Fumanchu partiu em 18 de janeiro de 1998.

Mas há vozes que o tempo não apaga.

Basta fechar os olhos, e lá vem ele outra vez, atravessando as ruas e a lembrança de Uberaba:

 “Atenção, desportistas! Hoje no Uberabão…”

Como se a vida fosse, para sempre, uma eterna tarde de domingo.

Antônio Carlos Prata

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TRAJETÓRIA DE UMA BRILHANTE EDUCADORA UBERABENSE

 

             Maria Abadia Prata Barsam.                 Foto/Divulgação.


Maria Abadia Prata Barsam, iniciou suas atividades na educação como professora regente de classe do ensino fundamental na "Escola Estadual Frei Leopoldo de Castelnuovo", em Uberaba, na época em que a escola funcionava em simples residência no bairro Mercês.

Transferindo-se tempos depois para o prédio próprio, na então Vila Santa Marta, hoje Bairro Santa Marta.

Em 1971, Maria Abadia assumiu a direção da "Escola Estadual Frei Leopoldo de Castelnuovo". Movida por seu espírito empreendedor, em uníssono com lideranças de pessoas ali residentes, criou a dinâmica e eficiente "Associação da Escola Comunidade do Bairro Santa Marta", tendo sido uma de suas primeiras conquistas, a liberação das escrituras das casas populares ali existentes.

Paralelamente ao crescimento do bairro, empenhou-se avidamente na promoção de melhorias para a Escola, visando a educação integral dos alunos com assistência psicopedagógica, atendimento dentário, com funcionamento permanente desse gabinete na escola e oferta de almoço escolar aos alunos menos favorecidos.

Desenvolveu com grande êxito o arrojado “Projeto Alfa” proposto pela Secretaria de Estado da Educação, destinado aos alunos defasados em idade/série, objetivando sua recuperação através de programas especiais, recuperação paralela com hora extra diaria e com aceleração de séries.

Na área pedagógica, estendeu de forma paulatina as classes da quinta série ao oitavo ano, completando o ensino de primeiro grau, hoje equivalente ao ensino fundamental II.

Com ampliação e construção da nova ala do prédio escolar, como resultante, hoje a escola ministra o segundo grau em Magistério e secretariado.

Com a participação incisiva dos professores, funcionários e da comunidade, construiu a quadra de esportes, “Sinhá Barbosa” em terreno anexo à Escola doado para esse fim.

Em 1987, foi designada Diretora da 25ª Superintendência Regional de Ensino. Sob sua gestão, lutou arduamente na manutenção da APAE e das classes de ensino especial nas escolas e contra o encerramento de unidades de ensino.

Realizou no Grande Hotel de Araxá o Encontro Geral de Diretores e Inspetores com presença de palestrantes da Secretaria de Estado da Educação, vertebrando suas ações junto às escolas.

Posteriormente exerceu também as funções de Inspetora Escolar na Superintendência Regional de Ensino em Uberaba, vindo a se aposentar.

Como empresária foi ativa empreendedora na Tradicional e familiar "Casa Gloria" junto de sua cunhada Hilda Barsam e de Maria Barbara Barsam. Sua atuação na educação uberabense é marcada pelo seu amor à profissão, exercida com humanismo dedicação e competência.

Maria Abadia foi esposa do médico Nelson Barsam e deixa uma filha Ana Luiza Prata Barsam.

Célia Ferreira Peixoto 

domingo, 10 de maio de 2026

UBERABA SE DESPEDE DAS LENTES DE RICARDO PRIETO

 

     Ricardo Prieto/ Foto autoria desconhecida 

Há pessoas que passam pela vida apenas vivendo. Outras, porém, deixam marcas tão profundas que acabam se confundindo com a própria história da cidade. Assim foi Ricardo Prieto, o querido Prieto, homem de olhar atento, sensível e paciente, que transformou a fotografia em memória viva de Uberaba.

Durante décadas, suas lentes acompanharam a vida uberabense como quem escreve silenciosamente um grande livro de recordações. Quantos carnavais coloridos ficaram eternizados em seus negativos. Quantos casamentos emocionados, batizados, festas, encontros familiares e momentos simples da vida cotidiana ganharam eternidade através de sua câmera. Prieto não fotografava apenas pessoas; registrava sentimentos, costumes e o tempo passando devagar pelas ruas da cidade.

Formado em advocacia, também dedicou parte de sua vida à vida pública, exercendo o cargo de vereador entre 1989 e 1993. Mas, mesmo nos espaços da política, nunca deixou de carregar consigo o olhar humano e observador de quem aprendeu a enxergar além das aparências.

A história fotográfica de Uberaba deve muito a ele. Seu trabalho preservou rostos, cenários, tradições e pedaços de uma cidade em constante transformação. Graças ao seu olhar, muitas lembranças continuam vivas, permitindo que gerações revisitem tempos que talvez já tivessem se perdido na poeira da saudade.

Atualmente residindo em Taubaté, Prieto levava consigo não apenas décadas de experiência, mas também o carinho de amigos, colegas e admiradores que aprenderam a respeitar sua simplicidade, generosidade e profissionalismo. Era daqueles homens discretos que não precisavam elevar a voz para serem lembrados. Sua presença se fazia notar pelo respeito que conquistou ao longo da vida.

Apaixonado pelo futebol, carregava também no coração seu amor pelo Sociedade Esportiva Palmeiras, sendo um torcedor palmeirense daqueles fiéis, que acompanhavam o clube com entusiasmo e orgulho, como quem cultiva uma paixão para toda a vida.

Agora, parte para reencontrar sua querida esposa Ilka, que se foi em 2013. E fica a impressão de que, em algum lugar do infinito, os dois talvez estejam revendo juntos as antigas fotografias da vida, aquelas que o tempo jamais conseguirá apagar.

Sua partida deixa silêncio e saudade, mas também deixa um legado precioso: o de alguém que soube compreender a importância da memória e eternizar instantes que hoje pertencem à alma de Uberaba.

Manifestamos nossos mais sinceros sentimentos aos filhos, netos, familiares e amigos, desejando força e serenidade neste momento de despedida.

Prieto presente. Hoje, amanhã e sempre na memória e na história de Uberaba.

O velório de Ricardo Prieto será realizado neste dia 10 de maio de 2026, a partir das 11h, na Funerária Memória Família, na cidade de Taubaté.

O horário da cerimônia de cremação ainda não foi definido pela família.

Antônio Carlos Prata